sábado, 14 de outubro de 2017

O que é que São Marcos tem? Conheça o bairro que teve o m² mais valorizado para venda

A Vitória, por outro lado, foi o bairro com maior desvalorização
Do outro lado da linha, o corretor anuncia: imóveis a partir de R$ 17 mil. Depois, não tem limite. Tem terreno, tem casa, tem apartamento – tudo a gosto do cliente. Mas a pechincha em questão é justamente de uma quitinete no fim de linha do bairro. “Aqui era periferia, agora não é mais. Virou bairro de centro”, diz, tentando convencer a interlocutora a uma possível aquisição. 
Os vizinhos são de todos os tipos: de Sete de Abril a Alphaville, passando por Pau da Lima e pelo Centro Administrativo da Bahia (CAB). No meio de territórios com perfis tão distintos, fica São Marcos – muitas vezes, inclusive, confundido com o colega São Rafael (que, graças à nova lei de bairros aprovada no ano passado, foi oficialmente promovido à categoria). São Marcos, por outro lado, desponta em uma posição inusitada: foi a região da cidade que mais se valorizou para venda nos últimos três meses. 
São Marcos, com imóveis disponíveis, teve a maior valorização por m² para venda
De acordo com a pesquisa de Dados do Mercado Imobiliário (DMI), promovida pelo portal VivaReal, o m² de venda em São Marcos teve a maior valorização percentual dos últimos três meses, comparado ao penúltimo trimestre. Por ali, quem quer comprar um imóvel tem que desembolsar R$ 3.915 agora. Até junho, comprar por lá era 27,7% mais barato, porque o m² saía por R$ 3.066. Só para dar uma ideia de como a variação foi alta, dá para observar o segundo colocado: Jaguaribe, com m² saindo por R$ 6.185, teve aumento de 15,4%. 
“São Marcos é um bairro que ainda não tinha aparecido (em pesquisas). Temos Brotas, Itapuã, Imbuí e Amaralina, que têm procura maior, mas, de repente é um nicho de mercado que apareceu por não ter oferta adequada a um público que hoje tem maior possibilidade de financiamento, linha de crédito mais barata, etc. Isso tudo contribui para a comercialização”, opina o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA), Cláudio Cunha. 
Oferta e procura
Para quem vive por ali – pelo menos 25 mil habitantes, de acordo com a pesquisa Caminho das Águas, da Universidade Federal da Bahia e do IBGE –, a explicação para tanta disputa é bem clara: São Marcos é um caldeirão de tudo. “Aqui tem muita facilidade de clínicas, bancos... Antes, não tinha nenhum banco. Agora tem Caixa, Itaú... Só está faltando um Bradesco”, diz a comerciária Ana Cláudia Moreira, 44 anos. 
O bairro tem imóveis a partir de R$ 17 mil (Foto: Marina Silva/CORREIO)
Há sete anos, ela se mudou para São Marcos para ficar mais perto do trabalho, em uma loja de roupas infantis. Diz que, de uns tempos para cá, o leque de variedades aumentou. Tem mais escolas, hospitais próximos – além do próprio Hospital São Rafael, um dos maiores da cidade –, lojas. “Tem bairro que não tem nem uma emergência”. 
Por outro lado, o conselheiro do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Bahia (Creci-BA) Francisco Sampaio, destaca que há poucos loteamentos populares na região. "A nível popular, hoje, você só tem os imóveis prontos. Não tem outros espaços". Cláudio Cunha, da Ademi, diz que vale a lei da oferta e da procura. “Como você tem pouca oferta, a tendência é que os imóveis que estão em disponibilidade aumentem o preço”.
De lá para qualquer lugar 
Montador de móveis de uma loja em São Marcos, Carlos Ademilson, 33, vê, em sua rotina de trabalho, muita gente se mudando para a região. “É sempre de outro bairro para cá. Acredito que é porque praticamente todas as linhas de ônibus passam por aqui”. 
Segundo Francisco Sampaio, do Creci, São Marcos já tem uma estrutura própria à disposição dos moradores. “O comércio é um dos mais ativos da cidade. Está quase igual ao da Rua Lima e Silva, na Liberdade”. 
Com comércio forte e muitas linhas de ônibus, São Marcos se destaca para moradia (Foto: Marina Silva/CORREIO)
O comércio atrai até mesmo os forasteiros. O auxiliar de serviços gerais Vagner dos Santos, 39, e a autônoma Rosemari Alves, 29 vivem em Castelo Branco, mas preferem as lojas do vizinho. Costumam ir aos estabelecimentos da região pelo menos duas vezes por semana. Têm certeza de que é melhor do que ir ao centro da cidade ou tentar fazer a compra em um shopping. 
“Se não tiver engarrafamento, o buzu chega aqui em cinco minutos”, diz Rosemari Alves. Mesmo assim, por enquanto, Vagner ainda não pensa em trocar de endereço e se mudar de vez. Com o crescimento da região, ele diz que também cresce a violência. “E aqui tem muito trânsito”. 
Outros, como o servidor público Robson Santos, 54, acham que viver ali vale a pena. É por isso que tem dois apartamentos no bairro onde mora há mais de 20 anos. “O mais atrativo aqui é a possibilidade de ir para qualquer canto. É muito prático. Em oito minutos, estou na praia, na Orla de Patamares. Em 20 minutos, estou no Subúrbio, se pegar a Avenida Gal Costa”. 
Maior desvalorização de m² foi na Vitória
Na contramão, a Vitória foi o bairro de Salvador que teve a maior desvalorização para venda por m³, no terceiro trimestre deste ano. De acordo com a pesquisa Dados do Mercado Imobiliário do VivaReal,  preço do m² no bairro passou de R$ 8.158 para R$ 7.143, o que representa uma queda de 12,4%. 
Para o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA), Cláudio Cunha, após um período de crise, como a que afeta o país desde 2015, quem mora em locais como a Vitória prefere não fazer grandes investimentos. 
“Temos um bairro predominantemente de classe média alta e alta, onde tem pessoas já estabelecidas. Para se fazer investimento com um montante significativo, essas pessoas, nesse momento de recessão, preferem não mobilizar tantos recursos. Ela sabem que podem precisar em caso de desemprego, em sua própria poupança. Então, imóveis de padrão elevado sofreram bastante nesses últimos anos”, aponta. 
Para completar, segundo o conselheiro do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Bahia (Creci-BA) Francisco Sampaio, a Vitória passou a ter outros concorrentes de peso nos últimos 10 anos. Isso porque, em outras localidades da cidade, como a Avenida Paralela e o Horto Florestal, começaram a despontar lançamentos de empreendimentos de alto padrão. 
“Você vê empreendimentos como o Le Parc, na Paralela, e o (Villagio) Panamby, no Horto, que trouxeram um padrão superior ao da Vitória para um lugar onde construíram milhares de apartamentos. Cada empreendimento desses é uma Vitória inteira com alto padrão”. 
Além disso, ele aponta que o centro comercial da cidade saiu da região mais antiga da capital e foi deslocado para a área da Avenida Tancredo Neves. “E, naquela região da Vitória, o padrão de moradia era alto, mas você continua com poucas opções de terreno. Para entrar um novo empreendimento hoje ali, você tem que tirar um antigo. Então, creio que, por isso,   o nível de infraestrutura ficou muito elevado em outros pontos da cidade”, defende.Fonte/correio24horas. 

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